quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Segredo

Boa tarde a todos... Passou o carnaval e é dia então de novo poema, não necessariamente um poema novo. Esta poesia ganhou um concurso em 2006.

O texto de hoje fala sobre o perigo das coisas que desejamos.
Às vezes podem nos trair, os nossos sonhos. Nossos quereres podem nos guardar uma armadilha.
O poeta usa a imagem de um segredo que quer ser livre, quer sair por aí como todas as outras palavras, frases ou assuntos do mundo e busca a sua liberdade procurando uma boca que não saiba guardar segredos e consegue se libertar, mas, vê que a liberdade não é exatamente como ele imaginou e se vê já bem diferente do que era antes...
Então, cuidado com o que deseja!!!

Desejo que gostem! (Imagino que não corro risco algum, desejando isso, não é... rsrs)

O segredo

O segredo não sabe o que é a liberdade.
Vivendo preso ao pensamento,
Busca sempre fugir por uma boca.
Se ela for sensata, se cala e silencia
E o desejo de ser livre se transforma em agonia,
Pois a chance de sair, agora, é pouca!

Mais "sorte" o segredo tem,
Se chega às portas de boca insana,
Que não cala e fala o que não deve,
Que não faz silêncio breve,
Que maltrata, machuca e engana.

Com toda liberdade voa segredo,
Feliz por rodar de boca em boca.
Da morena, da loira, do anão,
Do moço, do velho, na boca do ladrão,
Em todo o canto e em qualquer toca.

O segredo roda, roda e fica tonto.
Vai crescendo a cada boca, a cada dente;
Era magro e está obeso,

Tinha charme e elegância,
Mas agora, passa ileso,

Cada vez mais decadente,
Cada vez mais sem importância...

O seu desejo o transformara em algo
Que não tem mais volta.
Descontente com a nova situação,
Lamenta-se enormemente.
A liberdade virou medo
E esse medo o sufoca!
Sonha agora, em deixar de ser fofoca
E voltar a ser um elegante segredo!

04/06

Obrigado a todos!!!

Awgusto Rodrigues Capella*

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Sonolentidão...

Sem comentários introdutórios para este poema! Obrigado a todos pela visita!

Sonolentidão

O sono me invade sem que eu queira,
Invade-me de tal forma que me controla
E escrever fica difícil, o raciocínio pára...
Tudo se dificulta, exceto fechar os olhos...

O sono me invade às cinco da manhã
O sono me invade às oito da noite
O sono me invade às três da tarde
O sono me invade ao meio dia.

E uma coisa vira duas...
O nítido se embaraça...
O que era leve, pesa
E o claro, se apaga.

Somente o sono
Vem chegando
E as palavras
Vão sumindo...

E enfim,
Sem fala,
Encosto...
E nada!


10/03



Obrigado a todos!!!

Awgusto Rodrigues Capella

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Poema Piano

Sejam bem vindos todos!

Trago um poema simples, pequeno mas que gosto muito! É um tema trabalhado várias vezes por vários poetas. Mostrar no poema o não-poema, deixar claro para o leitor este antagonismo de ler um poema, mas sendo que o próprio poeta o alerta que o que ele lê não é um poema!

Desejo que gostem!

Poema piano

Hoje sentei junto ao piano...
E mesmo sem saber tocar
Quis escrever esta canção
Para dizer, que assim como não sei tocar este piano, eu não sei também como lhe amar...


E muito menos escrever poesia!


Obrigado a todos!!!

Awgusto Rodrigues Capella*

No Evangelho de Cristo

Bom dia a todos e obrigado pela visita!

Hoje trago um texto concluído no final de 2008 que mostra o poeta redescobrindo o amor, mas o amor fraternal, o amor de Cristo que estava guardado na estante de sua alma, como na maioria de cada um de nós. É uma reflexão sobre tudo que guardamos em nossas estantes mentais, todos os conhecimentos adquiridos durante nossas vidas de forma direta ou indireta. Tudo está guardado; bastando para nós, apenas acessar e trazer para o consciente e aplicar estes conhecimentos no agora.


No evangelho de Cristo

No evangelho de Cristo esquecido
Na estante da minha alma
Busquei as lições necessárias
Para este coração perdido.

Tirei-lhe a poeira, teias, todo o pó
Com o sopro do Amor Divino
Que brotava em meu coração
No momento em que estive só,

No momento em que me achei perdido,
Minha alma de tristeza toda cheia...
Na cadeia dos pecados sucessivos...
Todo sujo, de tudo, todos esquecido...

Senti uma luz, que certamente minha não era,
Respirei de forma leve, branda, diferente!
Que paz! Um segundo plenamente
Farto de amor, o sentimento da nova era!

Ah! O amor é o que aquece um homem insano,
Que abraça, envolve, preenche cada espaço,
Que sustenta e foi com a força deste abraço,
Meu coração em descompasso, hoje volta a ser humano.

11/08


Obrigado a todos!!!

Awgusto Rodrigues Capella*