Boa tarde a todos... Passou o carnaval e é dia então de novo poema, não necessariamente um poema novo. Esta poesia ganhou um concurso em 2006.
O texto de hoje fala sobre o perigo das coisas que desejamos.
Às vezes podem nos trair, os nossos sonhos. Nossos quereres podem nos guardar uma armadilha.
O poeta usa a imagem de um segredo que quer ser livre, quer sair por aí como todas as outras palavras, frases ou assuntos do mundo e busca a sua liberdade procurando uma boca que não saiba guardar segredos e consegue se libertar, mas, vê que a liberdade não é exatamente como ele imaginou e se vê já bem diferente do que era antes...
Então, cuidado com o que deseja!!!
Desejo que gostem! (Imagino que não corro risco algum, desejando isso, não é... rsrs)
O segredo
O segredo não sabe o que é a liberdade.
Vivendo preso ao pensamento,
Busca sempre fugir por uma boca.
Se ela for sensata, se cala e silencia
E o desejo de ser livre se transforma em agonia,
Pois a chance de sair, agora, é pouca!
Mais "sorte" o segredo tem,
Se chega às portas de boca insana,
Que não cala e fala o que não deve,
Que não faz silêncio breve,
Que maltrata, machuca e engana.
Com toda liberdade voa segredo,
Feliz por rodar de boca em boca.
Da morena, da loira, do anão,
Do moço, do velho, na boca do ladrão,
Em todo o canto e em qualquer toca.
O segredo roda, roda e fica tonto.
Vai crescendo a cada boca, a cada dente;
Era magro e está obeso,
Tinha charme e elegância,
Mas agora, passa ileso,
Cada vez mais decadente,
Cada vez mais sem importância...
O seu desejo o transformara em algo
Que não tem mais volta.
Descontente com a nova situação,
Lamenta-se enormemente.
A liberdade virou medo
E esse medo o sufoca!
Sonha agora, em deixar de ser fofoca
E voltar a ser um elegante segredo!
04/06
Obrigado a todos!!!
Awgusto Rodrigues Capella*
II SEMINÁRIO EXPEDIÇÕES CÊNICAS
Há 11 anos
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